sábado, março 14, 2026

O agente (duplo) secreto (e múltiplo) no Fórum da catilogência orgânica.

As três ou quatro criaturas felinas pingadas que acompanham essa página, já cientes de que se trata de uma escrita esporádica, não devem ter estranhado a ausência de texto novo. Não é que tenha me faltado desejo ou inspiração, é que simplesmente não tenho tido tempo… ou melhor, tenho usado o tempo que tenho pra tornar o país mais rico, aumentando a concentração de riqueza. E, ao contrário da tal rica colunista da Folha de São Paulo, que dizem ganhar R$ 30mil para desenhar moldes de sobrancelhas em gente muito mais rica do que ela, eu não tenho a cara de pau embelezada de “chatgepetear” um texto só pra cumprir tabela.

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Não, aos meus gatos pingados eu só ofereço conteúdo orgânico. Textos que vieram (ou virão, mas nunca viralizarão) da minha própria experiência e reflexão. Ou, como diria o bispo Franciel Cruz, daquela Ingrezia baiana, eu só entrego “pirão” cozido no fogo da “catilogência”, e aqui entro nesse movimento superficial que eu mesmo fundo, o internacionalmente desconhecido e orgulhosamente anônimo: TCIA : “Todis Contra a Inteligência Artificial” - O fórum da catilogência orgânica.”

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Pois bem, feito esse preâmbulo, à guisa de apelo e perdão às musas pela busca de inspiração para a melhor forma de dizer o que deseja ser dito, eu vou retomar o assunto principal que vem no título.

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Sim, eu também vou falar do que todo mundo está falando, em tempos de Oscar e outras premiações cinematográficas: em 2026 o filme é: “O Agente Secreto”. Não vou te dar resumo, sinopse, nem vou te mimar com spoiler… vou deixar esse assunto “secreto” (como o voto da Fernanda Torres na Academia de Cinema.). Ou “silenciado” como explicou o psicanalista e “Youtchuber” querido Christian Dunker: Tudo isso está lá, em várias camadas, por aí, no passado de todos nós, em nossos discursos, ou numa plataforma perto de você… e tem até quem consiga ver o filme em alguns cinemas. Então, tudo ao nosso redor, inclusive o som, te proíbe de não assistir esse filme. Mas, se mesmo assim você conseguiu escapar da proibição e não assistiu (ainda), ainda assim vai entender tudo o que eu tenho a dizer. Vai entender porque eu gostei tanto desse filme.



O Agente Secreto não é sobre…(brincadeira eu não vou usar essa fórmula). Esse filme não tem como ser criticado, não tem como ser lido e, muito menos, não tem como ser interpretado… a não ser que você seja o Wagner Moura. Sabe aquele meme do “Seja você mesmo, a menos que você seja o Batmam” ? Então… o brasileiro de Rodelas, a cidade submersa, destruiu esse meme… sendo ele mesmo, sendo Armando, o professor de uma Federal do Nordeste (e que nome curioso para um agente secreto: “armando”), sendo Marcelo, o exilado misterioso. E sendo Fernando, o filho órfão de pai e mãe; Fernando, sem memórias. Menino sem pai, mas bem cuidado por “painho” o avô - que nunca esqueceu de nada.

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Então, pra dizer o mínimo, esse filme é feito de… (outra fórmula que eu queria evitar: “muitas camadas”); mas é isso: inevitável, inescapável e surpreendente, como achar a palavra “inexoravelmente” numa letra de forró de pé de serra: (pesquisa aí que você vai lembrar… eu fiquei pasmo, quando um amigo me deu essa dica)

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É por isso que eu não vou me atrever a tentar sintetizar, (nem chatgepetear), um ponto de vista qualquer desse filme, que é abertamente orgânico. Admiro quem se atreve. Assisti críticas que me chamaram a atenção quanto à genialidade do trabalho de Kleber Mendonça, aliás, ;) um conterrâneo meu, como Manuel Bandeira e Nelson Rodrigues. Críticas como uma elogiosa, feita por PH Santos, ou outra desdenhosa feita pelo Heribaldo Maia. Jailson Pereira da Silva, “o cara do @bviopostv” ousou revelar a identidade secreta do agente mais importante da trama: o Tempo. Mas, foi o Dunker quem pontuou melhor no seu canal, o aspecto de “agente duplo”, exercidos pelo personagem e pela narrativa, ao elencar os vários signos de duplo pertencimento, ou duplicidade e desaparição que se condensam tanto na condição de Marcelo/Armando, como na casa de passagem da Dona Sebastiana, com sua gata duplifacetada que “já vem com o apartamento” no condomínio dos exilados. Aliás, é “condomínio” ou “aparelho”?

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Mais do que um agente duplo, o “agente oculto” que Wagner Moura conseguiu infiltrar no Agente Secreto de Kleber Mendonça é múltiplo, porque trás consigo uma multiplicidade de mensagens secretas e reveladoras. A profusão de imagens, memórias, medos e memes que transbordam desse filme é tão intensa que dá vontade de gritar “Tapacurá estourou!!” E nesse estouro, a cheia que vai descer de São Lourenço da Mata vem arrastando fusca e camburão, Lá Ursa, tubarão, Perna Cabeluda e menina do algodão, cadáveres embalados em papelão. Vem inundando cinemas e bancos de sangue desde a praça Chora-Menino, passando pela Manoel Borba, até às portas do Cinema São Luís, emendando com as águas do Cão sem-plumas. Bairrista, não: bairrento. 

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Dicas de espionagem: 

Link para o Vídeo de PH Santos

Link para o vídeo de Heribaldo Maia

Link para ver Dunker dirigindo um Fusca e ajudando a pensarmos mais sobre o filme.

Link para ver o Cara do Óbvio Pós-TV

Link para o Vídeo do Canal Aprofundo pra entender porque Wagner Moura não inveja Batman.

Link para entender, sem entender, tudo sobre catilogência e pirão

2 comentários:

  1. Mônica Nunes3/14/2026 10:26 PM

    Como não amar... Texto fantástico.

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  2. Você é um monumento. És a verdadeira Torre de Cristal, maior do que a coisa do Brennand. És de bairro e barro. De lama e água. Agora és muito meu amigo pra espremer meu nome no meio desses colossos.

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