sexta-feira, outubro 30, 2026

A REVOLUÇÃO DOS FRACOS - LULA 2026












A força de um país não se mede pelo bíceps avantajado de quem grita mais alto no palanque nem pela arrogância de quem ironiza a fragilidade física e o envelhecimento, sem considerar o poder da sabedoria e a universalidade do voto que iguala todos na lógica do "1 + 1o  > 1q" ("um mais um outro é maior que um qualquer")

Lembro que, na minha quebrada, em Casa Amarela, quando a gente queria dizer que uma pessoa ou objeto era o melhor na sua função, a gente dizia que ele era simplesmente: “o fraco”. O melhor skatista do bairro: "O fraco" do skate; aquele óculos Juliette que todo mundo queria: "o fraco"! Aquele relógio reluzente : "fraco". O melhor capoeirista do Morro da Conceição: "O fraco".

Em fim, a gíria dos becos e córregos de Recife, batizando a máxima potência com o tempero do deboche popular, mergulhava, pela ironia, na dialética da realidade. É a sabedoria das ruas que inverte a lógica do opressor: o que parece vulnerável guarda em si um poder devastador.

Ao contrário da burrice careta dos que se dizem fortes, que cultuam a testosterona. E que decretam: "Lula é fraco! " Acreditando que a fraqueza é somente defeito, nenhuma virtude; nenhuma dialética.

Estes, que muitas vezes nem mesmo correspondem ao ideal de masculinidade e força que louvam com suas feições pueris, sua baixa estatura, sua voz esganiçada e seus gestos ambíguos, sem olhar para si mesmo manifestam um desdém político, tentando transformar a idade avançada e a fragilidade do corpo transformado pelo tempo, em motivo de piada, esquecem-se de que a verdadeira engrenagem da história não é movida por halterofilistas, mas pela teimosia silenciosa daqueles que recusam a omissão.

Nas eleições, essa “fraqueza” ganhou pernas e ocupou o país. O que se viu nas urnas não foi uma imposição da força física, mas a mútua sustentação da dignidade: velhos acamados recuperando o prumo, mãos trêmulas firmando o documento de identidade, passos curtos amparados por andadores e bengalas que riscavam o chão como cetros de cidadania. 

Cada idoso que arrastou os pés até a seção eleitoral carregava consigo a recusa em ser tratado como resto. Uniram-se os convalescentes, os esquecidos, os que a vida desgastou, transformando o que a soberba alheia julgava impotência em uma onda gigantesca, uma verdadeira maré cheia e irrefreável de votos.

Foi assim que se consolidou uma verdadeira revolução popular, na prova viva de que a democracia é o regime em que a força bruta se curva diante da ação coletiva. Prova-se pela paciência, pela tenacidade, pela lucidez que só a idade proporciona, o óbvio matemático de que qualquer um será sempre menor que um qualquer mais um outro, e outro e outro, e ele sozinho será sempre menor do que todos e até mesmo esse "todos" ainda é menos que "todos e todas." Sendo a universalidade do voto direto a régua mais justa que supera todas as diferenças, dialeticamente.  



A virada eleitoral não veio do punho erguido de um líder musculoso, mas do encontro de milhares de fragilidades que, juntas, se tornaram imbatíveis. No fim das contas, a periferia estava certa. O povo brasileiro — calejado, teimoso e solidário — mostrou que, quando se trata de proteger o futuro e dar a resposta no momento certo, o povo brasileiro é, de fato, "o fraco". No sentido dialético que se usa em Recife-PE.


Atualizando com um vídeo do Gabinete do Ócio (que nome lindo). Aliás, vídeo que mostra que Lula não é "fraco" Ele (L) é "O fraco".

 Siga e ouça: @gabinetedoociopodcast





----

Texto redigido pelo autor com apoio de algoritmo gerador de texto automático! (Eita!).
Mas, fui eu que fiz... Eu,  o fraco! No sentido dialético que se usa na manguetown. 

Para saber das imagens e fontes de notícias... 


1) Imagem 1 (recorte de print de tela de Pesquisa no Google notícias, pelo termo "Lula Fraco")

2)  Foto 2 - Reportagem de Paula Arantes, para site da Radio Itatiaia. 25/10/2026, Disponível em: https://www.itatiaia.com.br/politica/eleicoes/eleicoes-2026-nem-cogito-a-possibilidade-de-perder-diz-nikolas-ferreira-ao-votar-em-bh/

3)  Foto 3 - Matéria de  Julia Braun Role, Da BBC News Brasil em Londres, 22 outubro 2026. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cj62yn475xrwo

4) Foto 4 - Da Rede PT de Comunicação, Publicado em 26/10/2026  Disponível em https://pt.org.br/eleitores-com-mais-de-70-anos-dao-exemplo-de-participacao-e-defesa-da-democracia/

quarta-feira, setembro 30, 2026

"TEMPO É DINHEIRO" eles dizem, enquanto roubam seu tempo pra fazer o dinheiro deles.


Serei breve. Não roubarei seu tempo: compre meu novo livro e leve pra casa "30 Dinheiros - um livro de contos. Na verdade, são quase minicontos de tão curtos que são.

São contos curtos, que acabam rápido, e servem pra lembrar que o nosso dinheiro também... Assim como se dizia antigamente: "Me arranja aí, trinta contos. Semana que vem eu te pago." E nunca mais.

Mas, o fato de serem contos de leitura rápida, não significa que a escrita foi também. É um livro demorado. Que levou trinta anos pra ser escrito e finalizado, ainda que possa ser lido em 30 dias...

Por ter sido demorado, a produção dele precisou - e conseguiu- ser independente e bem cuidada.

30 historietas, contabilizadas em algarismo romano, como todo o tempo que eles dominaram, com essa ganância romana imperialista, sem pensar por um instante que toda ausência poderia ser valorizada.

Precisaram dos maias, da Babilônia e da Índia pra conhecer o valor do zero. 

E dos Yorubá para reconhecer a circularidade do tempo! 

30 dinheiros, o livro, foi dividido em três decanatos (e também em duas quinzenas, como era o meu salário, há trinta anos).

E se vc quiser dividir, é uma forma de pagamento. Mas, por enquanto não aceito cartão, nem dinheiros... 

Só Pix. Compra aí o meu livro.

... 

30 Dinheiros.

Cláudio Pedrosa i

ilustração e Editora: @luaplaza

LANÇAMENTO: 30 DE OUTUBRO

(mais detalhes : c.h.pedrosa@gmail.com)

sábado, março 14, 2026

O agente (duplo) secreto (e múltiplo) no Fórum da catilogência orgânica.

As três ou quatro criaturas felinas pingadas que acompanham essa página, já cientes de que se trata de uma escrita esporádica, não devem ter estranhado a ausência de texto novo. Não é que tenha me faltado desejo ou inspiração, é que simplesmente não tenho tido tempo… ou melhor, tenho usado o tempo que tenho pra tornar o país mais rico, aumentando a concentração de riqueza. E, ao contrário da tal rica colunista da Folha de São Paulo, que dizem ganhar R$ 30mil para desenhar moldes de sobrancelhas em gente muito mais rica do que ela, eu não tenho a cara de pau embelezada de “chatgepetear” um texto só pra cumprir tabela.

.

Não, aos meus gatos pingados eu só ofereço conteúdo orgânico. Textos que vieram (ou virão, mas nunca viralizarão) da minha própria experiência e reflexão. Ou, como diria o bispo Franciel Cruz, daquela Ingrezia baiana, eu só entrego “pirão” cozido no fogo da “catilogência”, e aqui entro nesse movimento superficial que eu mesmo fundo, o internacionalmente desconhecido e orgulhosamente anônimo: TCIA : “Todis Contra a Inteligência Artificial” - O fórum da catilogência orgânica.”

.

Pois bem, feito esse preâmbulo, à guisa de apelo e perdão às musas pela busca de inspiração para a melhor forma de dizer o que deseja ser dito, eu vou retomar o assunto principal que vem no título.

.

Sim, eu também vou falar do que todo mundo está falando, em tempos de Oscar e outras premiações cinematográficas: em 2026 o filme é: “O Agente Secreto”. Não vou te dar resumo, sinopse, nem vou te mimar com spoiler… vou deixar esse assunto “secreto” (como o voto da Fernanda Torres na Academia de Cinema.). Ou “silenciado” como explicou o psicanalista e “Youtchuber” querido Christian Dunker: Tudo isso está lá, em várias camadas, por aí, no passado de todos nós, em nossos discursos, ou numa plataforma perto de você… e tem até quem consiga ver o filme em alguns cinemas. Então, tudo ao nosso redor, inclusive o som, te proíbe de não assistir esse filme. Mas, se mesmo assim você conseguiu escapar da proibição e não assistiu (ainda), ainda assim vai entender tudo o que eu tenho a dizer. Vai entender porque eu gostei tanto desse filme.



O Agente Secreto não é sobre…(brincadeira eu não vou usar essa fórmula). Esse filme não tem como ser criticado, não tem como ser lido e, muito menos, não tem como ser interpretado… a não ser que você seja o Wagner Moura. Sabe aquele meme do “Seja você mesmo, a menos que você seja o Batmam” ? Então… o brasileiro de Rodelas, a cidade submersa, destruiu esse meme… sendo ele mesmo, sendo Armando, o professor de uma Federal do Nordeste (e que nome curioso para um agente secreto: “armando”), sendo Marcelo, o exilado misterioso. E sendo Fernando, o filho órfão de pai e mãe; Fernando, sem memórias. Menino sem pai, mas bem cuidado por “painho” o avô - que nunca esqueceu de nada.

.

Então, pra dizer o mínimo, esse filme é feito de… (outra fórmula que eu queria evitar: “muitas camadas”); mas é isso: inevitável, inescapável e surpreendente, como achar a palavra “inexoravelmente” numa letra de forró de pé de serra: (pesquisa aí que você vai lembrar… eu fiquei pasmo, quando um amigo me deu essa dica)

.










É por isso que eu não vou me atrever a tentar sintetizar, (nem chatgepetear), um ponto de vista qualquer desse filme, que é abertamente orgânico. Admiro quem se atreve. Assisti críticas que me chamaram a atenção quanto à genialidade do trabalho de Kleber Mendonça, aliás, ;) um conterrâneo meu, como Manuel Bandeira e Nelson Rodrigues. Críticas como uma elogiosa, feita por PH Santos, ou outra desdenhosa feita pelo Heribaldo Maia. Jailson Pereira da Silva, “o cara do @bviopostv” ousou revelar a identidade secreta do agente mais importante da trama: o Tempo. Mas, foi o Dunker quem pontuou melhor no seu canal, o aspecto de “agente duplo”, exercidos pelo personagem e pela narrativa, ao elencar os vários signos de duplo pertencimento, ou duplicidade e desaparição que se condensam tanto na condição de Marcelo/Armando, como na casa de passagem da Dona Sebastiana, com sua gata duplifacetada que “já vem com o apartamento” no condomínio dos exilados. Aliás, é “condomínio” ou “aparelho”?

.

Mais do que um agente duplo, o “agente oculto” que Wagner Moura conseguiu infiltrar no Agente Secreto de Kleber Mendonça é múltiplo, porque trás consigo uma multiplicidade de mensagens secretas e reveladoras. A profusão de imagens, memórias, medos e memes que transbordam desse filme é tão intensa que dá vontade de gritar “Tapacurá estourou!!” E nesse estouro, a cheia que vai descer de São Lourenço da Mata vem arrastando fusca e camburão, Lá Ursa, tubarão, Perna Cabeluda e menina do algodão, cadáveres embalados em papelão. Vem inundando cinemas e bancos de sangue desde a praça Chora-Menino, passando pela Manoel Borba, até às portas do Cinema São Luís, emendando com as águas do Cão sem-plumas. Bairrista, não: bairrento. 

.

Dicas de espionagem: 

Link para o Vídeo de PH Santos

Link para o vídeo de Heribaldo Maia

Link para ver Dunker dirigindo um Fusca e ajudando a pensarmos mais sobre o filme.

Link para ver o Cara do Óbvio Pós-TV

Link para o Vídeo do Canal Aprofundo pra entender porque Wagner Moura não inveja Batman.

Link para entender, sem entender, tudo sobre catilogência e pirão,