quarta-feira, setembro 09, 2026

Diálogo com quem insiste em votar no Lula por medo do bolsonarismo - ou um dedo de prosa com Paulo Nogueira, sem esperar resposta.

Não adianta integrar a esquerda crítica na teoria, e no voto ser liberal. Assim como não adianta ser progressista durante a campanha eleitoral, e governar como um conservador que respeita mais o "ajuste fiscal" do que os interesses dos trabalhadores e da economia produtiva nacional. 

Caro Paulo Nogueira, não creio nem espero que você pessoalmente leia ou reflita sobre o que digo aqui... Mas, se você chegasse a ler, gostaria que soubesse que foi escrito muito mais como um exercício de cuidado e respeito pela sua opinião, do que por um ímpeto de escárnio ou de confronto gratuito. De fato, senti-me afetado pelas suas palavras, brilhantemente colocadas em artigo do site Outras Palavras. Eu mesmo, um antigo eleitor de Lula (na verdade, minha preferência sempre foi pelo Brizola). Eu, que iniciei minha vida como eleitor no mesmo período em que esta 6ª República se abria para a juventude. República cuja falência foi enfaticamente anunciada pelo Jornalista e analista político, Breno Altman, no PodCast que conduz, cara a cara com seu filho Tom Altman.


O voto aos 16 anos, que vi sendo problematizado pela imprensa - em conjunto com o voto dos analfabetos - à época de construção da nossa Constituinte mais recente, e que foi recebido naquela época como um troféu conquistado por suor, sangue e muita lábia... hoje é tratado como sucata. Não tem o mesmo valor e sequer a mesma aparência. Os grandes heróis repatriados naquela época, para junto com a abertura democrática (a tal que era "lenta, gradual e segura"), reconstruir a Pátria mãe sempre tão distraída. Morreram de overdose, por queima de arquivo ou envelheceram para se tornar os vilões contra quem lutaram na juventude. E nós, seus aliados, convictos, nos tornamos apenas seus eleitores, ou seguidores virtuais... (e eles que nem têm tantas virtudes assim)... nós somo convidadas/os a dar nossa limitada opinião a cada dois anos, enquanto eles se revezam na função de tomar decisões por nós, de fazer leis contra nós, e de acumular o dinheiro que nós mesmos produzimos.

Caro Paulo, não tenho um centésimo da experiência que você tem, olhando o mundo do ponto de vista de um intelectual progressista. Um pensador da esquerda crítica. Mas, cá pra nós, não creio que você tenha qualquer experiência em ver o mundo do meu ponto de vista também. Um nordestino negro da periferia. E vou te falar. Deste ponto de vista, o mundo terrível que você tanto teme... é onde eu vivo com toda a minha família.


Não adianta, Paulo, tentar advertir os que hesitam em votar no Lula, com o "perigo existencial para o Brasil", quando a Polícia Militar já é um perigo cotidiano à nossa existência. Não adianta tentar me mostrar os riscos do imperialismo internacional, ou falar de reconstrução do Brasil, quando o imperialismo já é exercido pela aristocracia escravocrata do país, e quando essa reconstrução só alcança a classe média de sempre. Quando essa reconstrução se faz às custas do Piso constitucional da Educação, privilegiando o lucro dos bancos, mantendo uma rede precária de saúde pública, restringindo ao máximo o dinheiro para o pagamento do pessoal, e mantendo centenas de concursados aguardando convocação ad eterno; não adianta levar pessoas com necessidade especial, indígenas e mulheres negras para subir a rampa de mãos dadas com o Presidente eleito por elas, e fazer um governo que restringe o acesso das pessoas ao BPC, e facilita o acesso dos bancos ao dinheiro dos aposentados; com uma política que desmonta a rede de Atenção Psicossocial, privilegiando os hospitais privados e o modelo religioso das comunidades terapêuticas, em detrimento do trabalho qualificado e politizado que se fazia nos CAPS.



O perigo que o governo atual enfrenta, em sua busca por continuidade não vem das críticas à esquerda que hesitam votar no Lula, vem mais obviamente dos parceiros à direita que Lula insiste em manter e preservar com as estratégias de sempre. O uso continuado das estratégias recebidas como "heranças malditas" mas exploradas como oportunidade, desde o tal "bonus de volume" do Valerioduto, passando por Geddel e suas caixas de papelão recheadas de dinheiro, Renan Calheiros e suas fazendas, a parceria distraída com Michel Temer, e com Arthur Lira, o próprio Jacques Wagner e sua intimidade com os ricos salões, seus empréstimos milionários e favores discretos.

Essa insistência governamental em valorizar "os grandes empresários nacionais" como os irmãos Batista, da JBS e todos os poderosos da Faria Lima com quem o Ministro da Economia faz questão de dialogar sistematicamente, enquanto se recusa a ouvir as demandas dos trabalhadores organizados. É tudo isso que abala a credibilidade do governo e causa perigo existencial. Uma gestão em diálogo próximo com uma imprensa que é literalmente uma "porta-voz" do Mercado e uma mordaça para os órgãos sindicais.




De que adianta, falar em Soberania, quando o Ministro da Defesa, além de dar respaldo leniente ao terrorismo midiático dos militares, ainda declara que abrirá os portões quando os Estados Unidos resolver invadir o país? Se o governo prioriza o ajuste fiscal e superavit da balança comercial, em detrimento das condições de trabalho e direitos para a classe trabalhadora, como esperar que esta classe deposite mais uma vez a confiança nele?

A verdade miúda, Paulo.. é que nem é hesitação. É compreensão da realidade:
A periferia já vive nesse mundo distópico, do qual você e a classe média progressista pretende escapar.


Para ler o que Paulo Nogueira disse
 
https://outraspalavras.net/estadoemdisputa/dialogo-com-os-que-hesitam-em-votar-em-lula/


Para entender uma perspectiva que avança em torno o mundo, por conta do "arcabouço fiscal?
https://outraspalavras.net/direita-assanhada/alemanha-por-que-a-ultradireita-venceu/ 


sábado, março 14, 2026

O agente (duplo) secreto (e múltiplo) no Fórum da catilogência orgânica.

As três ou quatro criaturas felinas pingadas que acompanham essa página, já cientes de que se trata de uma escrita esporádica, não devem ter estranhado a ausência de texto novo. Não é que tenha me faltado desejo ou inspiração, é que simplesmente não tenho tido tempo… ou melhor, tenho usado o tempo que tenho pra tornar o país mais rico, aumentando a concentração de riqueza. E, ao contrário da tal rica colunista da Folha de São Paulo, que dizem ganhar R$ 30mil para desenhar moldes de sobrancelhas em gente muito mais rica do que ela, eu não tenho a cara de pau embelezada de “chatgepetear” um texto só pra cumprir tabela.

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Não, aos meus gatos pingados eu só ofereço conteúdo orgânico. Textos que vieram (ou virão, mas nunca viralizarão) da minha própria experiência e reflexão. Ou, como diria o bispo Franciel Cruz, daquela Ingrezia baiana, eu só entrego “pirão” cozido no fogo da “catilogência”, e aqui entro nesse movimento superficial que eu mesmo fundo, o internacionalmente desconhecido e orgulhosamente anônimo: TCIA : “Todis Contra a Inteligência Artificial” - O fórum da catilogência orgânica.”

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Pois bem, feito esse preâmbulo, à guisa de apelo e perdão às musas pela busca de inspiração para a melhor forma de dizer o que deseja ser dito, eu vou retomar o assunto principal que vem no título.

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Sim, eu também vou falar do que todo mundo está falando, em tempos de Oscar e outras premiações cinematográficas: em 2026 o filme é: “O Agente Secreto”. Não vou te dar resumo, sinopse, nem vou te mimar com spoiler… vou deixar esse assunto “secreto” (como o voto da Fernanda Torres na Academia de Cinema.). Ou “silenciado” como explicou o psicanalista e “Youtchuber” querido Christian Dunker: Tudo isso está lá, em várias camadas, por aí, no passado de todos nós, em nossos discursos, ou numa plataforma perto de você… e tem até quem consiga ver o filme em alguns cinemas. Então, tudo ao nosso redor, inclusive o som, te proíbe de não assistir esse filme. Mas, se mesmo assim você conseguiu escapar da proibição e não assistiu (ainda), ainda assim vai entender tudo o que eu tenho a dizer. Vai entender porque eu gostei tanto desse filme.



O Agente Secreto não é sobre…(brincadeira eu não vou usar essa fórmula). Esse filme não tem como ser criticado, não tem como ser lido e, muito menos, não tem como ser interpretado… a não ser que você seja o Wagner Moura. Sabe aquele meme do “Seja você mesmo, a menos que você seja o Batmam” ? Então… o brasileiro de Rodelas, a cidade submersa, destruiu esse meme… sendo ele mesmo, sendo Armando, o professor de uma Federal do Nordeste (e que nome curioso para um agente secreto: “armando”), sendo Marcelo, o exilado misterioso. E sendo Fernando, o filho órfão de pai e mãe; Fernando, sem memórias. Menino sem pai, mas bem cuidado por “painho” o avô - que nunca esqueceu de nada.

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Então, pra dizer o mínimo, esse filme é feito de… (outra fórmula que eu queria evitar: “muitas camadas”); mas é isso: inevitável, inescapável e surpreendente, como achar a palavra “inexoravelmente” numa letra de forró de pé de serra: (pesquisa aí que você vai lembrar… eu fiquei pasmo, quando um amigo me deu essa dica)

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É por isso que eu não vou me atrever a tentar sintetizar, (nem chatgepetear), um ponto de vista qualquer desse filme, que é abertamente orgânico. Admiro quem se atreve. Assisti críticas que me chamaram a atenção quanto à genialidade do trabalho de Kleber Mendonça, aliás, ;) um conterrâneo meu, como Manuel Bandeira e Nelson Rodrigues. Críticas como uma elogiosa, feita por PH Santos, ou outra desdenhosa feita pelo Heribaldo Maia. Jailson Pereira da Silva, “o cara do @bviopostv” ousou revelar a identidade secreta do agente mais importante da trama: o Tempo. Mas, foi o Dunker quem pontuou melhor no seu canal, o aspecto de “agente duplo”, exercidos pelo personagem e pela narrativa, ao elencar os vários signos de duplo pertencimento, ou duplicidade e desaparição que se condensam tanto na condição de Marcelo/Armando, como na casa de passagem da Dona Sebastiana, com sua gata duplifacetada que “já vem com o apartamento” no condomínio dos exilados. Aliás, é “condomínio” ou “aparelho”?

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Mais do que um agente duplo, o “agente oculto” que Wagner Moura conseguiu infiltrar no Agente Secreto de Kleber Mendonça é múltiplo, porque trás consigo uma multiplicidade de mensagens secretas e reveladoras. A profusão de imagens, memórias, medos e memes que transbordam desse filme é tão intensa que dá vontade de gritar “Tapacurá estourou!!” E nesse estouro, a cheia que vai descer de São Lourenço da Mata vem arrastando fusca e camburão, Lá Ursa, tubarão, Perna Cabeluda e menina do algodão, cadáveres embalados em papelão. Vem inundando cinemas e bancos de sangue desde a praça Chora-Menino, passando pela Manoel Borba, até às portas do Cinema São Luís, emendando com as águas do Cão sem-plumas. Bairrista, não: bairrento. 

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Dicas de espionagem: 

Link para o Vídeo de PH Santos

Link para o vídeo de Heribaldo Maia

Link para ver Dunker dirigindo um Fusca e ajudando a pensarmos mais sobre o filme.

Link para ver o Cara do Óbvio Pós-TV

Link para o Vídeo do Canal Aprofundo pra entender porque Wagner Moura não inveja Batman.

Link para entender, sem entender, tudo sobre catilogência e pirão